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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Review: Capitão América - O Soldado Invernal

Enquanto um surto de informações sobre os próximos filmes que os estúdios Marvel levarão ao cinema chegam aos ouvidos dos fãs, Capitão América - O Soldado Invernal estreia no Brasil. Com muito mais ação do que o primeiro filme e passado na contemporaneidade (diferente do primeiro), ele se passa depois dos eventos acontecidos em Os Vingadores.

O filme, que segue as mesmas tendências dos filmes mais atuais da Marvel (flertes, cenas cômicas e uma participação já esperada de Stan Lee), traz para o Capitão e nacionalista exacerbado Steve Rogers um novo inimigo - ou melhor, novos motivos para temer - capaz de mexer com a estrutura global. 

O segundo longa do Capitão traz já em seus créditos o nome de Sebastian Stan como um dos personagens principais, o que já desmistifica quem é esse tal "vilão" tão assustador e perigoso. E também traz a adorada pelo público Scarlett Johansson de volta no papel de Viúva Negra (com um cabelo meio duvidoso), numa parceria com Rogers que não pareceu tão forçada.


Melhor do que o seu primeiro filme com o América e também considerado por muitos fãs o melhor filme da Marvel já produzido até agora, o longa já está na base estrutural que compõe a história de Os Vingadores 2 - A Era de Ultron, que estreia em 2015. Quaisquer comentários adicionais seriam spoilers que eu não gostaria de dar a ninguém, pois vale muito a pena ver o filme ainda estando no escuro sobre a história dele.

No mais, Capitão América 2 é um bom entretenimento e merece ser assistido no cinema. Se você ainda tem lá suas duvidas quanto a isso, deixo apenas uma dica: simplesmente vá.


quinta-feira, 13 de março de 2014

Cinco motivos para você ver (se é que já não viu!) o novo Robocop

Muitas pessoas especularam sobre o novo filme do Robocop antes mesmo de qualquer coisa sair na imprensa. As notícias sobre o filme pioraram quando: a) José Padilha foi escolhido como diretor b) o traje negro do homem-robô caiu na rede c) gente que não curte remakes e reboots começaram a chiar devido os péssimos remakes e reboots que saíram nos últimos tempos (ninguém quer nem lembrar do fiasco de O Vingador do Futuro, por exemplo).

Porém, o filme estreou nos cinemas do mundo todo e a aceitação do longa foi bastante positiva. O filme arrecadou bem nas bilheterias nacionais e teve uma boa crítica da maioria dos grandes sites sobre cinema. Mas se, mesmo sabendo de tudo isso, você ainda está com os dois pés atrás, pensando se deve assistir ou não o Robocop de 2014, seguem aí cinco motivos que talvez te convença a ver rapidinho:

5) O filme não desmerece o original.


Não. Assistindo ao novo Robocop, você não irá trair a memória do filme antigo. Assim como no oitentista Robocop, o novo filme trata do desenvolvimento tecnológico sendo aplicado na segurança da população. Claro que, como o filme atual tem muito mais pano para a manga nesse sentido (pense bem em quanto a tecnologia evoluiu nos últimos 20 anos), as máquinas são bem mais elaboradas e o Robocop tem funções bastante diferentes do antigo, mas mesmo assim, como se trata de um reboot, a história é uma adaptação do contexto geral de um policial que sofre um atentado e acaba se tornando o Robocop, uma máquina que tem sua parcela humana, o que torna a sua aceitação maior por parte das pessoas.

4) A armadura cinza aparece no filme 


Sim, a armadura cinza do Robocop aparece no longa e entrando em ação. Se um dos motivos para você não ter visto o filme foi esse, você já pode esquecer e ir sem medo ao cinema. Ah, e se você olhar bem nas entrelinhas e entender porquê o traje do robô fica no final PRETO, meu amigo, você vai pirar. 

3) O filme tem Gary Oldman no elenco


Se você achava que o filme do Robocop tinha um elenco fraco e que o ''desconhecido'' Joel Kinnaman não iria te satisfazer, se enganou. O filme tem o fantástico Gary Oldman como o visionário cientista que desenvolve o Robocop, tem Michael Keaton voltando aos grandes blockbusters, tem Jackie Earle Haley ( o Rorschach de Watchmen) e tem o inconfundível Samuel L. Jackson. Chega de argumentar sobre isso, né?

2) Samuel L. Jackson e a crítica social

Se tem uma coisa que José Padilha sabe fazer, é uma crítica social bem organizada em seus filmes. Quem assstiu Tropa de Elite 1 e 2 sabe do que eu estou falando. E é praticamente impossível, sendo brasileiro e tendo visto esses dois filmes, não reconhecer muitos pontos parecidos com os filmes mais famosos de Padilha. O personagem de Samuel L. Jackson, por exemplo, é um jornalista tendencioso que manipula as informações relevantes sobre a sociedade americana em seu programa de TV e seu personagem lembra muito um repórter fanfarrão e corrupto de Tropa 2.
Concordam? 

1) O drama do Robocop é real e nós nos sentimos tocados por ele verdadeiramente


Imagina você tendo sua vida, sua família, trabalho e amigos. Imagine tudo isso sendo tirado de você e você, consciente disso, saber que nunca mais será ''humano'' novamente, pois o que sobrou de seu corpo foram apenas pedaços. Imagine você, conscientemente, ter que lidar com a dor de ver sua família desamparada sem você e sua vida desmoronar por não passar de uma máquina que pensa. Pois é. Esse filme tem muitos dramas e eles são bastante fortes. Se você pensava que, apenas porque pedaços de imagens e cenas que você viu mostram o novo Robocop menos sofredor ou se soube que a morte dele não fora tão violenta quanto foi a do primeiro, saiba que a violência emocional existe em substituição. E saiba também que, infelizmente, devido a censura que o cinema sofre nos tempos atuais, que Padilha deve ter feito o seu melhor.

Bem, se você ainda não se sente convencido a ver o Robocop nos cinemas, acho que a opinião do Padilha sobre o filme pode te convencer:


Se não convenceu...bem, é uma pena. Pois ele está certo. 


Review - 300: A ascensão do império



Na minha lista de filmes os quais eu nunca esperaria uma continuação, 300 era um deles, mas ao que parece as coisas que acredito nunca acontece (vide a possível nova trilogia de Matrix), e quando eu menos esperei me dei de cara com a divulgação de 300: A ascensão de um império, e uma dúvida muito comum: será que é só efeitos especiais ou tem algo que se aproveite? afinal, o primeiro era uma adaptação de Frank Miller, e esse? vale a pena?

Vamos por parte.

Este filme também tem na genética Frank Miller, pois após a graphic novel 300, passou a trabalhar numa outra de nome Xerxes, que é um prelúdio a primeira e até onde eu sei ainda não foi lançada mas até onde se sabe será uma minissérie de 5 edições. O filme possui como base esse novo trabalho de Miller mas eu não sei até que ponto uma vez que não sei até que ponto vai a graphic novel, se esta for de toda a vida de Xerxes, então eu digo que este A ascenção de um império vai até certo ponto, entretanto isso é discussão que não cabe aqui.

Roteirizado por dois dos mesmos roteiristas de 300, Zack Snyder e Kurt Johnstad, esta continuação possui como diretor Noam Murro (Vivendo e aprendendo - 2008) e boa parte do elenco original, como: Lena Headey (Rainha Gorgo), David Wenham (Dilios - o narrador do filme anterior), Rodrigo Santoro (Xerxes) e Gerard Butler (Leônidas) em flashback quando é necessário. Contudo, agora o foco não mais são os 300 de Esparta (que na verdade não eram 300, uma vez que cada soldado tinha um ou dois empregados - estude História!), o foco aqui é o que não vemos mas que ocorre, antes, durante e depois dos eventos do filme anterior.

Se antes, pela narração de Dilios éramos levados a conhecer a grande Batalha das Termópilas e seus quiprocos, aqui a narração de Temístocles (Sullivan Stapleton) nos leva aos quiprocos da origem de Xerxes - o que em parte ele foi responsável - até a adesão de Esparta para lutar ao lado da Grécia. Mas ao contrário do que pode parecer num filme de guerra com tantos homens, a espinha dorsal e a "salvação" do povo grego é a vingança feminina.

Em meio aos vários novos personagens somos apresentados a Artemísia (Eva Green), que não é apenas uma exímia lutadora com espadas e líder das frotas pérsias mais é a grande articuladora da história, não apenas em continuar a guerra entre Pérsia e Grécia mais também em moldar o desolado Xerxes no Rei-Deus que ele se considerava com toda a prepotência que se pode esperar de alguém com um título como esse. 

Todo esse empenho de Artemísia em fazer do jovem Xerxes um Rei-Deus e prosseguir com a guerra não é por um ideal, ou melhor, é para seu ideal: a vingança. A vingança pelo que os gregos a fizera sofrer quando mais jovem que a impulsiona até o seu fim. E é pelo sentimento de vingança quea Rainha Gorgo aceita unir o exército espartano com o resto das cidades-estado gregas contra Xerxes, quando o fim de Temístocles e mais ainda, o ideal de liberdade grega estava chegando ao fim. 

Irônico é que tanto a danação e a salvação da liberdade grega se encontrava em dois povos que não possuíam a mesma concepção de liberdade, uma vez que tanto Pérsia como Esparta (uma das cidades-estado que formava o território que hoje é a Grécia - vá estudar História!) eram regidas por reis, e mais irônico é que a verdadeira engrenagem de um filme com várias personagens masculinas são duas personagens femininas: Artemísia e Gorgo, respectivamente a danação e a salvação.

Mas e aí, vale a pena?

Bom, não espere que este filme seja um marco cinematográfico, que não o é; não é um filme que você vai passar dias digerindo o roteiro. 300: A ascensão do império é um filme que é direto ao ponto que vai te levar a uma imersão do mundo que já tínhamos conhecimento pelo primeiro filme, uma imersão vibrante e violenta.

A direção perdeu alguns elementos gráficos que são a cara do Snyder, mas com isso esta continuação ganhou em termos de linearidade, é melhor contado cinematograficamente que o primeiro, mas desliza no exagero de sangue - que faria o sangue utilizado em Kill Bill 'fichinha'; em alguns momentos perto do final chega a ficar um pouco cansativo. Mais de 100 minutos de sangue jorrando há de ficar cansativo em algum momento, mas só um pouco, depois o filme pega fôlego novamente. Um ponto não muito feliz do roteiro é quando o filme apela para a estória piega do pai que não quer que o filho se envolva na guerra por ser jovem demais, faça-me o favor?! Podia muito bem ter passado sem esse cliché.

Os atores estão muito bem comprometidos com seus papeis, vemos um pouco mais de jovem Xerxes, o que possibilita de vermos Rodrigo Santoro, interpretando um Xerxes humano e não um Rei-Deus, o ator Sullivan Stapleton que leva a narrativa do filme como Temístocles faz um ótimo contraponto masculino para a atuação vibrante de Eva Green como Artemísia. Green ao meu ver rouba a cena do filme não apenas pela personagem dela ser a articuladora mas pela sua atuação ser tão boa que me fez torcer por ela e não pelos "mocinhos". Lena Headey aparece bem menos do que o primeiro mas quando aparece faz que sua Rainha Gorgo contrabalancei a vingança de Artemísia com a sua própria que quando aparece é impossível não vibrar.

A edição segue a cartilha do primeiro, os efeitos também que peca em pequenos excessos que é puramente "vamos colocar porque é 3D e não por ser necessário ao filme", a trilha se faz dormente, fica eclipsada pelos efeitos sonoros e especiais mas quando o filme termina a música que acompanha os créditos finais é boa.

Eu assisti a este filme em IMax e eu que tenho dificuldade em perceber 3D pois vejo a profundidade mas no geral é "nada demais", mas se puder gastar para ver em IMax, GASTE! Pela primeira vez consegui ter uma experiência de 3D com a tecnologia IMax e vale muito a pena, pois há cenas que não só fica evidente a sensação profundidade mas se sentir a vibração das cenas, e com tanta luta, a imersão na estória será ainda mais profunda.

O que me chamou a atenção é que a maior imersão na estória que tem esse filme resultou num maior número das cenas violentas. Se você não curte filmes violentos, não assista a este filme, certamente você não terá estômago, agora se você curte, vá em frente! Pois apesar de ser um filme que a base é nos efeitos, há uma estória bem contada que vai lhe fazer imergir naquele mundo enquanto durar o filme.

Ah, e um terceiro filme fica na possibilidade ao final e respondendo, enfim, a pergunta: vale muito a pena conferir, se for em IMax melhor ainda.

Aqui o trailer do filme:



FONTE:

* Foto: divulgação.
* Trailer: youtube.

sábado, 8 de março de 2014

Review: Walt nos bastidores de Mary Poppins



Há alguns filmes que se você se considera um cinéfilo é preciso assistir, são os ditos filmes clássicos e há vários tipos de clássicos, de filmes bons a clássicos do trash. Há filmes que marcam a história do cinema aos quais pode-se muito bem não gostar mas é impossível negar a importância seja por um desenvolvimento técnico ou pela junção tecnologia + boa estória = filmes que marcam uma época.

Mary Poppins, filme de 1964 é considerado por muitos a obra-prima de Walt Disney, independente disso, é um clássico, pela estória, pela tecnologia, pelo charme atemporal que a película possui. O plot? Uma família que não consegue se entender e apesar de amarem seus filhos o casal Banks (David Tomlinson e Glynis Johns) são focados primordialmente em seus próprios afazeres, para resolver o problema e devolver a harmonia familiar aparece a mágica babá Mary Poppins (Julie Andrews).

O papel da babá voadora foi o primeiro trabalho de Dame Andrews nos cinemas ao qual lhe rendeu um Globo de Ouro e o Oscar de melhor atriz. E Mary Poppins é um exemplo muito bem sucedido em misturar atores reais interagindo com desenhos animados, exemplo esse que apenas foi igualado anos depois em Uma Cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit - 1988). 

Esse ano de 2014 é o aniversário de 50 anos de Mary Poppins e em razão disto fez-se Walt nos bastidores de Mary Poppins (Saving Mr. Banks), mas o que poderia ser um filme meramente documental transforma-se em um 'dramédia' da melhor espécie com uma excelente atuação de Emma Thompson no papel da escritora dos livros de Mary Poppins: P. L. Travers (1899 - 1996).

Apesar do que pode suscitar o nome do filme em português: Walt nos bastidores de Mary Poppins fala especificamente da fase final de aquisição dos direitos dos livros para que Walt Disney pudesse realizar o filme. "Nada demais nisso", você poderia ter pensado, mas a questão é que Disney demorou 20 anos para convencer Travers em ceder os direitos de sua obra, ao qual ela é relutante ad infinitum.

Claro que problemas de finanças a faz fazer um acordo com Disney cerca de dois anos antes mas se ela não gostasse de que eles estão fazendo com suas personagens, ela não assinaria, pois para ela Poppins é mais que uma mera criação artística, é algo pessoal que remonta a sua própria família e em especial sua relação com seu pai. Walt nos bastidores de Mary Poppins explora com delicadeza a relação intrínseca entre Travers e sua criação e como isso interfere nos planos de Disney em realizar o filme, pois isso também é algo também pessoal, por sua filha quando criança ter mostrado os livros a ele e ele ter prometido o transformar em filme.



Emma Thompson interpreta uma Travers austera, ríspida que em muitos momentos beira o insuportável mas ao mesmo tempo extremamente humana. Tom Hanks interpreta o carismático Disney, mais um para sua galeria de personagens "homem de confiança", sua atuação é normal e consegue transmitir o carisma sem grandes esforços, mas eu colocaria a personagem do ator  Paul Giamatti como o motorista Ralph como o contraponto mais importante com a atuação de Thompson.

A edição do filme mescla a subjetividade de Travers por meio de suas lembranças com o andamento de sua consultoria dos andamentos de sua avaliação dos trabalhos para o filme de maneira sutil e delicada, o que faz com que compreendemos o peso  que sua criação tem em sua vida e vice-versa, e por isso o título original Saving Mr. Banks é melhor do que o claríssimo título brasileiro, pois o foco do filme não é Disney nos bastidores - embora seja isso que ocorra - o foco é em como Travers enxergou no filme uma maneira de salvar seu Senhor Banks, e com isso a chance do filme virar realidade.

Veja o trailer aqui:

Se você gosta de um bom 'dramédia' e ainda por cima saber mais sobre esses "minutos finais" de como Disney conseguiu os direitos de Mary Poppins, não pense duas vezes, assista a este filme.

E se quer saber mais sobre o filme Mary Poppins, eu digo que você deve comprar o dvd de 40 ou 45 anos deste, pois há uma grande gama de extras que explicam os bastidores do mesmo. E espere, quem sabe seja lançada uma edição de 50 anos com mais extras.

FONTE:

Fotos: Divulgação.
Trailer: youtube.